Sim, o Paraíso de Alexandre Soares é divertido, mas é também triste, muito triste, porque sabemos, de alguma forma, que não é possível a sua existência. Isso é uma proeza que só o poder da literatura realiza. E o que torna o livro mais triste ainda é a figura central sobre o qual o livro gira em torno: Julio Dapunt. Por quê? Por um simples motivo: Dapunt não tem a alma imortal. Ou seja, quando morrer, vai morrer mesmo. Para este sujeito, imortalidade é uma piada - e de muito mal gosto.
Para piorar, Dapunt é alguém que não deixará saudades neste mundo. Dizer que é um beautiful loser seria um elogio; ele é um verdadeiro nobody, o tipo que ninguém percebe na faculdade, que ninguém lembra o nome - apenas é lembrado por ser um "cara legal", o que é igual a ter um atestado de óbito prévio. Sua maior ambição é deixar uma marca neste mundo, mas mal consegue impressionar a moça bonitinha que lhe dá uma carona. Em contrapartida, seu drama comove todo o Paraíso.
E é este Paraíso - material, hedonista, sedutor, e, em hipótese nenhuma, corrompido e corruptor - que Alexandre Soares mostra o poder de sua imaginação. São nas descrições de seus rituais e nos de seus habitantes que Soares mostra ser um discípulo tupiniquim de C. S. Lewis e G.K. Chesterton. Há algo de alucinante em seu Paraíso, para não dizer lisérgico. Mas aquele sentimento de perda continua lá, em cada linha e em cada palavra: o sentimento de que este Paraíso só é possível porque o perdemos em alguma parte de nossa alma e em nosso coração.
Esta tristeza, adocicada com ironia (e não cinismo, como escreveu Paulo Polzonoff, uma vez que o cinismo implica em uma amargura perante a vida que "A Coisa Não-Deus" não demonstra), fica acentuada com a pena que Julio Dapunt nos dá. Uma pena misteriosa, diga-se de passagem, e por um simples motivo: terminamos o livro sem saber realmente quem foi Julio Dapunt. Ele vive, morre, passa uns tempos finais no Paraíso e, quando desaparece para sempre, cria-se um monumento a ele, transformando-o de "A Coisa Não-Deus" para o único deus que fez o movimento impossível (aqui, ao descrever o raciocínio de um anjo maluco chamado Pul, Alexandre Soares dá uma piscadela às teorias que chutam os fatos para longe e se preocupam com os absurdos que saem da mente de seus criadores). Para quem não era ninguém, tornar-se o Absoluto por uma mera deformação de lógica não é apenas uma vitória: é principalmente uma prova de quantos mistérios - irônicos ou não - a vida nos guarda.
"A Coisa Não-Deus" revela em Alexandre Soares um tipo de escritor que falta no Brasil: aquele que medita sobre assuntos sérios sem cair no perigo de uma densidade que pode se revelar pedante. Alexandre Soares não é e não quer ser Dostoiévski; por aqui, já temos um Machado, um Guimarães, um Osman Lins, um Lúcio Cardoso, um Bruno Tolentino. Não se trata de dizer se é inferior ou superior; trata-se apenas de ter uma literatura que crie um público que comece a apreciar um tipo de literatura séria, mas também divertida (e não uma pseudo-literatura que quer ser séria e nunca foi divertida, como são os exemplos de Rubem Fonseca e Paulo Coelho) e, então, partir para aventuras literárias mais ousadas. Neste aspecto, Alexandre Soares tem similiaridades com o Antonio Fernando Borges de "Brás, Quincas e Cia.", no qual a estrutura labiríntica e o estilo machadiano deste último escondem camadas de uma preocupação urgente - a perda da individualidade em um mundo que caminha para o coletivismo econômico e ideológico. Ambos os autores usam estruturas sutilmente intrincadas, cheias de digressões e flash-backs, sempre com pitadas de humor e em um estilo claro na escrita (aliás, este é o único senão em "A Coisa Não-Deus": em alguns momentos, dá-se a impressão de que o estilo não foi muito bem cuidado e há passagens que denunciam a precocidade do escritor, com piadas e expressões que deveriam ser engraçadas, mas ficam só na intenção); mas, se Alexandre Soares prefere a ironia como meio de questionar o estranhamento do mundo, Antonio Fernando cai no pessimismo machadiano, mesmo usando-o como um aviso para que o leitor não siga o mesmo caminho.
A literatura brasileira precisa de autores como Alexandre Soares e Antonio Fernando Borges. De certa forma, eles são mais importantes, no mundo cultural, do que a obra de um Bruno Tolentino porque preparam leitores futuros para enfrentar as florestas quase impenetráveis de densidades poéticas deste último. E se há um livro que cumpre muito bem esta função é "A Coisa Não-Deus", com sua tristeza sutil que nos faz lembrar sempre de que este mundo é, de fato, um bom lugar para se viver, mas definitivamente não é o único.
Milagres acontecem, caros perplexos, e, hoje, no domingo, dominus day, o dia do Senhor, aconteceu um , que é o fato de que o Mamais!, o suplemento irritante e supostamente cultural da Folha acertou em cheio, publicando um ensaio very wunderbar de Thomas Pynchon, o mestre da paranóia, sobre um dos grandes romances paranóicos, o "1984", de George Orwell, um dos poucos esquerdistas que respeito por um simples motivo - sabia que havia algo de estranho quando seus colegas começaram a apoiar genocídios como meio de vida. Reparem que, neste ensaio, Pynchon faz o que comentei no meu post sobre Beckett e Proust: fala sobre a obra de alguém, mas para afirmar os fundamentos de sua própria obra. Isto significa que Pynchon, o maior escritor vivo da atualidade (Philip Roth é o segundo maior, mas fica bem atrás), o único com uma obra que deveria ser lida por nossos aprendizes a escritores para aprenderem a fazer pirâmides e não biscoitos, discutirá sobre - yes! yes! yes! - paranóia, manipulação de informação, decadência humana e futuro sombrio. Enfim, meus temas prediletos. Sugiro leitura imediata, seja do texto ou da obra de Pynchon, mas também não posso deixar de me perguntar: Quando lançarão "Mason & Dixon" aqui no Bananão?
O interessante ao terminar a leitura de "Em Busca do Tempo Perdido", de Marcel Proust, é, depois de ficar horas a fio pensando sobre a genialidade do romance em sua estrutura, estilo e narrativa, ler o que outros sujeitos escreveram sobre o livro. No caso, a cereja do bolo é o ensaio que Samuel Beckett (o velho e bom Samuca, como diria Paulo Salles) escreveu em início de carreira sobre Proust. É um daqueles textos em que se observa como um grande autor iniciante utiliza-se de um grande autor já consagrado (quando Beckett escreveu o ensaio, em 1931, Proust morrera há nove anos) para trampolim de seu projeto poético. E que projeto poético! Beckett é mais pessimista do que qualquer Nietszche de cozinha; seu único problema é que ele se aproveita de um neurastênico melancólico para reafirmar que toda condição humana está fadada ao fracasso. Proust nunca escreveria frases do tipo: "O Hábito é o lastro que acorrenta o cão a seu lastro" ou "Somos incapazes de compreender ou incapazes de sermos compreendidos", frases que martelam em nossas mentes por um bom tempo (e Tempo é uma palavra-chave para entender a obra destes dois senhores). Na realidade, o escritor francês falaria mais ou menos a mesma coisa, só que desta maneira: "Gilberte era como um desses países em que não se podia fazer alianças diplomáticas, devido à inconstância de seus governos" ou "As pessoas que nos atormentam são como degraus de ascese para as divindades superiores". Aqui, o tempo está embutido numa seqüência de símiles e analogias imperceptíveis, enquanto que em Beckett a solidão do artista, em toda sua radicalidade, se expressa em um estilo duro, afiado, sem preocupações com o bom gosto. Como se não bastasse, o ensaio de Beckett sobre Proust é o que todo grande ensaio deveria ser: uma reflexão sobre uma obra em que o importante é a preparação de uma obra futura e não a mera exposição de técnicas narrativas e idéias conceituais que não chegam a lugar nenhum. Querem provar um futuro grande escritor? Leiam seus ensaios de madureza: se eles insinuam algo a mais é porque, com alguma sorte, este sujeito continuará a realizar uma obra que poucos terão a coragem de destruir. Foi assim com Proust (em seus ensaios contra Sainte-Beuve) e foi assim com Beckett. Enfim, nada como o velho lema: ora et labora.
1. A cosmogonia de "Matrix", por assim dizer, é epicurista. Ao contrário dos átomos, temos os bits e bytes de um programa de computador. Os deuses existem, mas eles estão distantes e não são muito bonzinhos, porque não estariam escravizando os poucos humanos que restam. E a ética mostrada em Zion não esconde suas raízes epicuristas: antes da luta, da guerra, vamos fazer uma rave, dar uma trepadinha e a morte é apenas uma ilusão que pode ser consertada pelo Predestinado.
2. O processo de iniciação de Neo - o hacker que é encontrado por Morpheus - é uma inversão da iniciação espiritual que gurus como Guénon, Coomarswamy e Burckhardt dissecaram com precisão em suas obras. A iniciação de Neo não é um processo de libertação dos véus da ilusão que cobrem a realidade; é um encolhimento ao espírito imanente, no melhor estilo Hegel. Sua revelação também não é budista - que, apesar dos pesares, havia um grande componente do Espírito ali, mesmo que ele estivesse aprisionado em ciclos cosmológicos -, mas sim cartesianista, a pura razão do cogito separando em espaços distintos o que deveria ser o real e o que é virtual. Não há tensão entre os dois polos; há apenas imersão em uma das realidades. Os Wachowski adoram dizer que foram inspirados por Baudrillard - eles citam um de seus livros no filme, "Simulacra e Simulacros" -, mas o próprio Baudrillard (um louco completo que prefere o niilismo e o terrorismo ao invés de enfrentar o sentido da vida) negou sua influência, admitindo - vejam só! - que o filme hipostava os lados da realidade, não existindo a fusão entre os dois mundos.
3. Os Wachowski pervertem os símbolos da experiência concreta, tais como o Mito da Caverna, de Platão, e a salvação da morte através do sacrifício do amor, representado pela personagem Trinity (a Trindade Cristã?). Em Platão, o mito da caverna é o símbolo da periagoge, da conversão do mundo de sombras para o mundo da luz e o início da busca dentro da tensão entre os polos da realidade divina e humana. Neo não vai para o mundo da luz; ele caminha para dentro do mundo das sombras, acreditando que nelas está a verdadeira realidade. É o puro idealismo hegeliano; a tensão entre sombras e luz é substituída por sombras e mais sombras. Já a salvação da morte pelo sacrifício do amor - eixo central do Cristianismo - não implica em reverter a morte, mas sim em aceitar esta última - e Neo e Trinity fazem justamente o oposto, nos dois filmes. A contemplação amorosa - a de aceitar as coisas pelo o que elas são, com toda a sua limitação, e, por isso, não podemos mudar o limite final, que é a morte - foi para a Patagônia neste momento. Mas em "Matrix", tudo é bits e bytes, e everything can happen.
4.A cena com o Arquiteto é de uma sutileza diabólica, para não dizer que é puro gnosticismo. Está claro que o Arquiteto é o Demiurgo que criou o mundo e, insatisfeito, abandonou-o para deixar o homem sozinho. Os predestinados, no caso, seriam os responsavéis pela destruição deste mundo e pela criação de um outro, muito mais perfeito. Entretanto, as falhas continuam, e assim temos seis predestinados que já fizeram a mesma coisa, sempre observado pelos olhos atentos do Arquiteto. O satanismo está no fato de que o drama da salvação torna-se um eterno retorno no melhor estilo Nietzsche e não a ressurreição na eternidade. Além disso, descobrimos que o famoso Oráculo é um programa criado pelo Arquiteto para conhecer melhor a psyche humana, mas que se rebelou e luta contra o poder do Arquiteto. Adeus fé, esperança e caridade; adeus, graça divina; olá, perdição completa.
5. Os mais de cem agentes Smith que lutam com Neo no filme são uma referência direta à famosa declaração: "Meu nome é Legião". Alguém duvida que eles serão os futuros arquitetos das novas Matrixes?
6. Baudrillard não é o único pensador pós-moderno que inspirou os irmãos Wachowski. Há também um tal de Cornel West, negro, professor de Harvard e Princeton, que defende o socialismo tecnológico. Ele faz até uma ponta em "Reloaded", como um dos conselheiros de Zion. West foi acusado pelo reitor de Harvard de ser um professor muito preguiçoso, que ganhava uma fortuna e dizia bobagens. West ficou tristinho e foi para Princeton, acusando Harvard de "racista". Hummm... isto me cheira à affirmative action ou não ?
E eu poderia ir além, caros perplexos. Mas isto é tema para um ensaio gigantesco e acredito que tenho coisas mais importantes para fazer - como avisar as pessoas desta anomalia cinematográfica cara a cara, olho no olho, dente no dente. Repitindo Platão no Górgias: "É na guerra e na batalha que assim devemos proceder". Vocês deveriam fazer o mesmo por um simples motivo: é a consciência humana que está em jogo e ela é o que temos de mais precioso em nossas vidas e a única arma para enfrentar a realidade implacável, que sempre existirá, apesar das alucinações que nos impõem.
Mas também me lembra esta teoria maluca do Alexandre Dugin, que todos deveriam ler por um simples motivo: é o plano do Cão para dominar o mundo.
Provas? Vejam "Matrix Reloaded" e saberão do que estou falando. Quem tiver um pingo de humanidade ficará aterrorizado com a cena do Arquiteto.
E leiam também esta entrevista maravilhosa sobre como os EUA (e o mundo) estão criando os novos terroristas de amanhã, inspirados na figura do Unabomber, cria da "cultura do desespero" de Harvard. Ah, e não deixem de ler este ensaio - fundamental para entender as razões psicopatológicas do que ocorrerá no futuro.
Para terminar, um auto-jabá: leiam Dugin, leiam a entrevista sobre o Unabomber, vejam "Matrix Reloaded" e comprovem se este senhor não estava certo ao descrever o triunfo da paranóia.
E um P.S. sobre P.S.: o bom de escrever num blog que poucos lêem é que, afinal de contas, escrevemos para nós mesmos porque nossos amigos são uma parte ou um reflexo de nossa alma.
Está na cara que Alcir Pécora não teve a coragem de ler os dez ensaios direitinho. Tudo bem: concordo que ler Tolentino em prosa é difícil - ele é muito mais cristalino no verso - porque ele mistura, no meio de uma frase, citações em inglês, grego, francês e italiano. Isso, claro, pode dar a impressão de "pedantismo" - insinuação que Pécora não hesita em fazer no seu texto. Mas os dez ensaios são imprescindíveis, sim senhor, e por um único motivo: ninguém, na literatura brasileira, teve a ousadia de encarar de frente a questão do que é o real e o que é a percepção do real.
Claro que isto foi esboçado por Machado, Guimarães, Osman Lins, Drummond e outros. Entretanto, eles não tornaram a questão em um drama que se vive na carne - uma verdadeira obsessão. Muitos reclamarão que este é um problema periférico - termo comum nas províncias stalinistas de nossa terra papagalis. Pois digo-lhes o contrário, afirmando apenas um fato: se o problema do real é marginal, porque então, nos últimos dias, estamos vendo um ataque de publicidade em relação à seqüência do filme "Matrix" - aquele filme despirocado que todos acreditam ser uma ficção-científica metafísica quando, na verdade, é uma salada de referências gnósticas, temperada com epicurismo e racionalismo cartesiano? (E não sou eu quem afirmo isso, mas os próprios diretores do filme, como vemos nesta matéria do New York Times).
Apesar de todos os seus defeitos, o tema de "Matrix" é o do problema do real, que é o nó górdio da filosofia e da experiência religiosa por excelência. Qualquer filósofo que nos venha à mente pensou sobre isso: Platão, Aristóteles, Santo Tomás, Ortega Y Gasset, Eric Voegelin, Descartes, Kant e até aquele trapaceiro intelectual chamado Hegel. Portanto, ao ler tal sábia sentença de um Alcir Pécora - a de que justamente o questionamento que Tolentino faz sobre o problema do real é indiferente a um livro que teve quarenta anos de maturação-, não posso acreditar que se trate de algo sério, muito menos de um mero lapso linguístico que o Dr. Freud poderia catalogar. Trata-se mesmo de desonestidade intelectual e, o pior, desonestidade perante a própria vida. Pécora não só não leu os ensaios, como também os evitou deliberadamente. O motivo é simples: o moço não quer enfrentar o real, justamente porque acha que o tema é periférico, marginal. O que importa mesmo, na sua cabecinha de formalista barroco, é o molde poético e a experiência mística que fica dependente dele.
Ora, se ele lesse os dez ensaios introdutórios de "O Mundo Como Idéia", veria que é exatamente isso que Tolentino quer evitar - a vitória da forma sobre a experiência vivida. O poeta sabe que a arte não existe sem a forma - mas sabe também que ela não é tudo, que existe algo misterioso que deve ser exprimido e que fica além das palavras. A própria expressão "mundo-como-idéia" significa isso: a escolha que a consciência humana faz de não aceitar a imperfeição da vida, com sua finitude e, especialmente, decrepitude, e partir para as perfeições da forma e do sistema, que explicariam tim-por-tim o mistério da iniqüidade da condição humana. A questão do real - e a questão de como a arte, em suas variações de poesia e pintura, capta os movimentos de tensão do real - é essencial para nós entendermos nossa própria passagem na Terra. Todos nós vivemos entre "o mundo como tal" e "o mundo como Idéia". O que Tolentino fez foi criar símbolos precisos desta tensão constante na nossa alma, mas isso já foi feito por Platão, que criou o termo "metaxo" para representar a tensão entre o campo mundano e o campo divino na busca pelo sentido da vida. E, se quisermos ir além, o próprio símbolo da cruz mostra ao extremo as forças que puxam e repuxam a alma do homem.
O fato de que um produto pop como "Matrix" faça este mesmo questionamento, mas o deforme porque parte de premissas erradas - a de que a vida é um sonho criado por um Demiurgo que deseja somente o Poder - confirma que o problema do real não é, de modo algum, periférico ou marginal, mas primordial em nossa consciência e em nossa condição. Ninguém pode fugir a esta complexa relação de perguntas e respostas - que nem sempre serão explicadas. Mas somente aqui no Bananão um professor de literatura pode ter a arrogância de descartar isso como se não fosse importante. Quando um sujeito age dessa forma - e ele é integrante de uma elite que tem a responsabilidade de educar toda uma geração - é um sinal que este país não quer enfrentar a realidade. Prefere ficar num mundo de ilusão, escolhendo ideologias que só terminaram em morte - seja da direita ou da esquerda. Alcir Pécora joga no lixo a única atitude louvável de um ser humano - encarar o real e compreendê-lo com toda a dignidade. Coisa boa não pode sair disso.